#194 - Do código à intenção
Por que o novo superpoder do dev não é escrever código, é saber especificar o que deve existir
Hey! 👋
Duas novas camisetas na loja da DVLPR. Uma pra quem roda a vida no café e nas bad decisions. Outra pra quem já conversou com um pato de borracha às 2 da manhã. Você sabe quem você é!
🦆 Camiseta Duck • ☕️ Camiseta Coffee
Gabriel Nunes (@nunesgabriel)
Do código à intenção
Por décadas, o trabalho de quem construía software foi definido pela produção manual. O dev escrevia linha por linha, o designer desenhava tela por tela, e o valor estava na execução. Era um caminho linear e previsível: pesquisa, design, build. Quem dominava a ferramenta dominava o jogo. Esse ciclo não está evoluindo. Ele está sendo aposentado.
O que está emergindo no lugar é o que alguns já chamam de Middle Loop, uma camada de trabalho que fica entre escrever código e entregar software. Não é mais sobre como implementar, é sobre o que deve existir e por quê. Os agentes decompõem tarefas, executam em ambientes isolados e geram milhares de linhas em minutos. O gargalo deixou de ser a produção. O novo gargalo é a clareza de quem instrui.
Isso muda completamente o perfil de quem entrega mais valor. O dev mais eficaz de 2026 não é o que digita mais rápido nem o que decorou mais sintaxe. É o que consegue decompor problemas complexos em pacotes de trabalho precisos, calibrar o nível de confiança no output do agente e manter a coerência arquitetural de um sistema que nenhuma máquina enxerga sozinha. Pensamento sistêmico virou competência técnica.
Um exemplo concreto dessa mudança é o conceito de arquitetura de intenção. Em vez de desenhar interfaces ou escrever código, o profissional passa a codificar seu gosto e seus critérios em formatos que agentes conseguem consumir. Não é um mockup. É um arquivo de texto que define tom, tipografia, antipadrões e restrições, um documento que impede o agente de gerar mediocridade no piloto automático. A tela virou especificação. O pincel virou linguagem.
O que não muda é o julgamento humano. A máquina prevê o pixel e escreve o loop, mas não entende o propósito humano por trás do produto, não pondera os trade-offs éticos, não enxerga a integridade sistêmica do que está sendo construído. Essa é a parte que ainda é nossa e provavelmente vai continuar sendo por um bom tempo. A pergunta que fica é: você está desenvolvendo essa habilidade, ou ainda está otimizando a velocidade de digitação?
Um recado do patrocinador 📣
Nem toda decisão técnica é só técnica
Escolher uma tecnologia, definir uma arquitetura ou priorizar uma solução nunca é só uma decisão técnica.
Toda escolha carrega impacto em prazo, manutenção, escalabilidade e, principalmente, no negócio. É por isso que, ao longo da carreira, cresce também a responsabilidade sobre essas decisões.
Quem atua como Tech Lead precisa lidar constantemente com trade-offs. Nem sempre a melhor solução é a mais sofisticada, muitas vezes, é a mais simples que resolve o problema certo no tempo certo.
Esse olhar mais amplo faz diferença no dia a dia. Conectar código ao contexto evita retrabalho, reduz complexidade desnecessária e melhora a qualidade das entregas.
No Asaas, decisões técnicas são tomadas com esse equilíbrio em mente. Simplicidade, clareza e impacto real no produto fazem parte dos critérios que guiam a Engenharia.
Se esse é o tipo de desafio que você busca, vale dar uma olhada nas oportunidades abertas.
Confira as vagas: https://go.codecon.dev/asaas-news-vagas
🔓 Software fechado vai virar o maior inimigo dos seus agentes
Agentes de IA podem finalmente exercer as liberdades do software livre em nome de quem não sabe programar. O autor tentou automatizar um workflow simples no Sunsama e caiu num labirinto de APIs não oficiais, senhas em texto puro e atalhos iOS construídos na mão. A conclusão é direta: quando o software é aberto, o agente lê o código e resolve em dez minutos. Quando é SaaS fechado, o agente bate na mesma parede que você. A próxima pergunta que todo mundo vai fazer antes de assinar uma ferramenta é “meu agente consegue modificar isso?”
🎮 CSS é DOOMed, alguém renderizou o DOOM inteiro em CSS!
Cada parede, chão, barril e inimigo é uma <div> posicionada em espaço 3D com CSS transforms. A lógica do jogo roda em JavaScript, mas a renderização é 100% CSS — trigonometria, animações com @property, clip-path, filtros SVG e anchor positioning sendo usados de formas que os autores das specs provavelmente nunca imaginaram. Se você quiser ver até onde o CSS chegou nos últimos 30 anos, jogue aqui e se impressione.
🎢 O padrão ouro de otimização: o que o RollerCoaster Tycoon ensina até hoje
RCT simulava parques inteiros com milhares de agentes no hardware de 1999 sem engasgar. O segredo não era só Assembly, era design de jogo informado por performance: visitantes que andam aleatoriamente pelo parque em vez de usar pathfinding caro, colisão entre pessoas simplesmente ignorada em troca de um sistema de felicidade, e fórmulas matemáticas deliberadamente ajustadas pra usar potências de dois. Chris Sawyer era programador e game designer ao mesmo tempo, e isso mudou tudo.
🌐 A velha internet não foi a lugar nenhum
Blogs pessoais, fóruns de nicho, sites excêntricos, nada disso desapareceu. O que mudou foi nossa expectativa: anos de feeds e algoritmos nos treinaram a esperar que o conteúdo venha até nós, e esquecemos de ir até ele. A “boa internet” ainda existe, só exige um pouco de esforço pra encontrar. Às vezes ela não vai ter likes nem retweets, pode ter meses de idade quando você achar, mas ela tá aqui. Esperando.
😮💨 Me substitui, IA. Tô pedindo.
Um designer de produto experiente não está com medo de ser substituído pela IA, ele está torcendo pra isso. O relato é honesto: design de produto virou um papel espremido entre PMs, engenheiros e “o negócio”, com cada vez menos espaço pra decisões reais. A IA que desestrutura tudo isso não é ameaça, é oportunidade de reconstruir com mais sentido. A pergunta que fica: quando os papéis tradicionais sumirem, quem vai guiar os agentes e tomar as decisões que ainda importam?
YouTube
Vídeo antigo, mas vale muito relembrar, ficou bom demais!
🎲 Analisando dados de um evento - 3 sêniors vs. 3 júniors (mas com IA)
Eventos
A Codecon vai ter um hackathon online! Nos dias 29 a 31 de maio, vai acontecer a Codecon Universe.
Bora participar? 👀
Podcast
Nesse episódio, a gente fala sobre a banalização do SaaS: como virou padrão transformar qualquer ideia em “produto”, colocar uma camada de IA e sair vendendo como inovação. Um papo sincero (e levemente indignado) sobre hype, oportunismo e o esmerdelhamento geral do que deveria ser software de valor.
O manual do ELIZA de 1979, o chatbot que veio antes de tudo isso que você usa hoje
Tradutor de código Morse no browser, com som, flash e vibração, sem instalar nada
Editor de wireframe em ASCII feito pra colar direto no Claude Code ou Cursor
Segura pra pular, solta pra voar. 100 chances de pulo. Erra uma e começa tudo de novo.
Workspace open-source e self-hosted que substitui seus dez SaaS por um deploy só
Push notification pra seu iPhone via webhook. Sem conta, sem dashboard, só HTTP.
A aula de 2h da Stanford que cobre 80% do que você precisa saber sobre LLMs e de graça






